Patricia Herrera Righi

07/10/2004 09:50



OS 15 MINUTOS PRECIOSOS

Era uma vez, há muitos e muitos anos, uma escola de anjos.

Conta-se que, naquele tempo, antes de se tornarem anjos de verdade,
os aprendizes de anjos passavam por um estágio. Durante um certo
período, eles saíam em duplas para fazer o bem e no final de cada
dia, apresentavam ao anjo mestre um relatório das boas ações
praticadas.

Aconteceu então, um dia, que dois anjos estagiários, depois de
vagarem exaustivamente por todos os cantos, regressavam frustrados
por não terem podido praticar nenhum tipo de salvamento sequer.
Parece que, naquele dia, o mal estava de folga.

Enquanto voltavam tristes, os dois se depararam com dois lavradores
que seguiam por uma trilha. Neste momento, um deles, dando um grito
de alegria, disse para o outro:

- Tive uma idéia. Que tal darmos o poder a estes dois lavradores por
quinze minutos para ver o que eles fariam? O outro respondeu:

- Você ficou maluco? O anjo mestre não vai gostar nada disto!

Mas o primeiro retrucou:

- Que nada, acho que ele até vai gostar! vamos fazer isto e depois
contaremos para ele.

E assim o fizeram. Tocaram suas mãos invisíveis na cabeça dos dois e
se puseram a observá-los. Poucos passos adiante, eles se separaram e
seguiram por caminhos diferentes. Um deles, após alguns passos depois
de terem se separado, viu um bando de pássaros voando em direção à
sua lavoura, e passando a mão na testa suada, disse:

- Por favor meus passarinhos, não comam toda a minha plantação! Eu
preciso que esta lavoura cresça e produza, pois é daí que tiro o meu
sustento.

Naquele momento, ele viu espantado a lavoura crescer e ficar
prontinha para ser colhida em questão de segundos. Assustado, ele
esfregou os olhos e pensou: devo estar cansado... e acelerou o passo.

Aconteceu que logo adiante ele caiu, ao tropeçar em um pequeno porco
que havia fugido do chiqueiro. Mais uma vez, esfregando a testa ele
disse:

- Você fugiu de novo meu porquinho! Mas, a culpa é minha, eu ainda
vou construir um chiqueiro decente para você. Mais uma vez espantado,
ele viu o chiqueiro se transformar num local limpo e acolhedor, com
água corrente e o porquinho já instalado no seu compartimento.
Esfregou novamente os olhos e apressando ainda mais o passo disse
mentalmente: "estou muito cansado!"

Neste momento ele chegou em casa e, ao abrir porta, a tranca que
estava pendurada caiu sobre sua cabeça. Ele então tirou o chapéu, e
esfregando a cabeça disse:

- De novo, e o pior é que eu não aprendo. Também, não tem me sobrado
tempo. Mas ainda hei de ter dinheiro para construir uma grande casa e
dar um pouco mais de conforto para minha mulher.

Naquele exato momento aconteceu o milagre. Aquela humilde casinha
foi se transformando numa verdadeira mansão diante dos seus olhos...

Assustadíssimo, e sem nada entender, convicto de que era tudo
decorrente do cansaço, ele se jogou numa enorme poltrona que estava
na sua frente e, em segundos, estava dormindo profundamente. Não
houve tempo sequer para que ele tivesse algum sonho.

Minutos depois, ele ouviu alguém pedir socorro:

- Compadre! Me ajude! Eu estou perdido!

Ainda atordoado, sem entender muito o que estava acontecendo, ele se
levantou correndo. Tinha na mente, imagens muito fortes de algo que
ele não entendia bem, mas parecia um sonho. Quando ele chegou à
porta, encontrou o amigo em prantos. Ele se lembrava que poucos
minutos antes eles se despediram no caminho e estava tudo bem.

Então, perguntando o que havia se passado, ele ouviu a seguinte
estória:

- Compadre, nós nos despedimos no caminho e eu segui para minha casa.
Acontece que poucos passos adiante, eu vi um bando de pássaros voando
em direção à minha lavoura. Este fato me deixou revoltado e eu
gritei: "Vocês de novo, atacando a minha lavoura, tomara que seque
tudo e vocês morram de fome!" Naquele exato momento, eu vi a lavoura
secar e todos os pássaros morrerem diante dos meus olhos! Pensei
comigo, devo estar cansado, e apressei o passo. Andei um pouco mais
e cai, depois de tropeçar no meu porco que havia fugido do chiqueiro.
Fiquei muito bravo e gritei mais uma vez: "Você fugiu de novo? Por
que não morre logo e pára de me dar trabalho?" Compadre, não é que o
porco morreu ali mesmo, na minha frente!

Acreditando estar vendo coisas, andei mais depressa, e ao entrar em
casa, me caiu na cabeça a tranca da porta. Naquele momento, como eu
já estava mesmo era com raiva, gritei novamente: "Esta casa. Caindo
aos pedaços, por que não pega fogo logo e acaba com isto?"... Para
minha surpresa, compadre, naquele exato momento a minha casa pegou
fogo, e tudo foi tão rápido que eu nada pude fazer! ... Mas ...
Compadre, o que aconteceu com a sua casa?... De onde veio esta
mansão?

Depois de tudo observarem, os dois anjos foram, muito assustados,
contar para o anjo mestre o que havia se passado. Estavam muito
apreensivos quanto ao tipo de reação que o anjo mestre teria... Mas
tiveram uma grande surpresa!

O anjo mestre ouviu com muita atenção o relato, parabenizou os dois
pela idéia brilhante que haviam tido, e resolveu decretar que a
partir daquele momento, todo ser humano teria 15 minutos de poder ao
longo da vida. Só que, ninguém jamais saberia quando estes 15 minutos
de poder estariam acontecendo.



Pequenos Gestos

É curioso observar como a vida nos oferece resposta aos mais variados questionamentos do cotidiano... Vejamos:

A mais longa caminhada só é possível passo a passo...
O mais belo livro do mundo foi escrito letra por letra...
Os milênios se sucedem, segundo a segundo...
As mais violentas cachoeiras se formam de pequenas fontes...
A imponência do pinheiro e a beleza do ipê começaram ambas na simplicidade das sementes...
Não fosse a gota e não haveria chuvas...
O mais singelo ninho se fez de pequenos gravetos e a mais bela construção não se teria efetuado senão a partir do primeiro tijolo...
As imensas dunas se compõem de minúsculos grãos de areia...

Como já refere o adágio popular, nos menores frascos se guardam as melhores fragrâncias...
É quase incrível imaginar que apenas sete notas musicais tenham dado vida à "Ave Maria", de Bach, e à "Aleluia", de Hendel...

O brilhantismo de Einstein e a ternura de Tereza de Calcutá tiveram que estagiar no período fetal e nem mesmo Jesus, expressão maior de Amor, dispensou a fragilidade do berço...

... Assim também o mundo de paz, de harmonia e de amor com que tanto sonhamos só será construído a partir de pequenos gestos de compreensão, solidariedade, respeito, ternura, fraternidade, benevolência, indulgência e perdão, dia a dia...

Ninguém pode mudar o mundo, mas podemos mudar uma pequena parcela dele:

esta parcela que chamamos de "Eu".

Não é fácil nem rápido...

Mas vale a pena tentar! Sorria!!!





enviada por Patricia Righi






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